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Efeito dominical

Posted by Larissa Araújo on 13:22
Sinceramente? Não sei o que escrever, estou aqui há mais de uma hora tentando e tentando e nada me agrada, talvez seja um daqueles dias em que se acorda de “ovo virado” e não se tem inspiração e vontade de fazer nada. É. Talvez. Já tentei falar sobre um senhor de 84 anos, uma garota de 16, um futuro próximo e até mesmo sobre uma fictícia notícia de assassinato no jornal, nada surtiu efeito, nada agradou e este texto agora, também não me agrada. Talvez eu não seja mesmo uma boa escritora, apenas alguém que achou que sabe escrever por conta de meia dúzia, tá, pouco mais que isso, de poemas sem importância que qualquer menininha de 15 anos escreve quando apaixonada e um ou dois textos que me foram elogiados. Acho que a verdade é essa, não devo mesmo saber escrever, mas o que preciso então para escrever bem? Já vi em alguns filmes que escritores se isolam do mundo, vão buscar inspiração em qualquer “roça paradisíaca” que se tenha notícia ou não por aí, um lugar com cheiro de terra e barulho apenas de pássaros.
Mas, e seu eu não gostar muito desse tipo de lugar? E se eu tiver preferência pelos locais movimentados e barulhentos? Muito monóxido de carbono na atmosfera, pessoas para lá e para cá, sempre apressadas, luzes, cores, ônibus e metrô? O que fazer então? Desistir de vez e aceitar que não nasci para escrever? Como posso me encaixar se simplesmente não consigo ver muita inspiração em um local onde nada se vê? Não que eu ache ruim, longe de mim, até admiro os que conseguem viver assim, acho que todos nós em algum momento de nossas vidas precisaremos nos refugiar em um local como esse, mas e a outra beleza? A outra poesia? Eu consigo ver beleza no pôr do sol de uma metrópole, ver as luzes que se acendem nas ruas e nas janelas dos mais altos edifícios da mais longa avenida lotada de carros no engarrafamento de todos os dias. Os letreiros das lojas denunciam a vida na cidade, aquela que não dorme, que a qualquer hora do dia posso encontrar uma mesa no cantinho de um pequeno café e escrever em folhas de guardanapo algo que me veio a cabeça, só para não esquecer.
Talvez eu não deva mesmo escrever, nunca mais, não consigo escrever nada de interessante, nada profundo, apenas me sinto inspirada ao observar as pessoas entrarem e saírem do metrô, estou sempre com fones de ouvido, gosto de ouvir música enquanto viajo. Fico imaginando quem são essas pessoas e o que elas fazem, rapidamente crio uma história, a história de fulana que tem 34 anos e dois filhos que pegou o trem na Consolação e vai descer na São Bento porque marcou de encontrar o pai de seus filhos, o qual não mora mais com ela. Acho isso divertido, talvez eu seja louca, não há nada de literário nisso e talvez eu deva parar de escrever tantos “talvez”. Pode isso denunciar meu vocabulário escasso? Não sei e sinceramente ainda não sei o que escrever, nunca pensei que acordar em uma manhã de domingo ensolarada pudesse me levar a inspiração embora.
Domingos são dias chatos, não se tem muito que fazer, vizinhos bebem desde cedo e “queimam carne” o que eles chamam de churrasco, ligam o som de seus carros no último volume e assim permanecem durante quase o dia inteiro. Na TV a situação é mais complicada, me entedio só de pensar que tenho de decidir entre assistir um programa de auditório com mais de 3 horas de duração e sem um momento interessante sequer e um apresentador que não dá a palavra a seus convidados ou o jogo de futebol, isso porque nem menciono os outros canais. Se for sair de casa, só há duas opções: restaurante, que geralmente está lotado e tenho que esperar alguma mesa ficar vaga e a praia. Essa última me dá arrepios, praia no domingo é algo que não dá, não vou dizer que nunca fui, se o fizer estarei mentindo, mas sinceramente, prefiro ficar em casa, ouvir música ou ler um bom livro e quem sabe, escrever. Sei que agora estou repetindo muito o “sinceramente”, mas como havia dito antes, não sou uma boa escritora e não possuo vocabulário vasto. Talvez o motivo da minha pouca (ou nenhuma) inspiração seja exatamente o fato de hoje ser domingo, o dia do tédio, da preguiça física e mental. Estou com preguiça de lavar meu cabelo e estudar para prova, pode isso ser chamado de efeito dominical?

13 Comments


Gostei muito do teu texto não fala d outros personagens , so retrata a vida do autor.Amei achei bastante interessante.
s cuida bj

jefferson rafael da silva araujo says:

Vc estava sem inspiraçao para escrever e dai saiu este texto onde vc esta contando um pouco de vc de sua pessoa e tambem falando um pouco do domingo do brasileiro e da "progaramaçao da tv brasileira..nao é facil escrever o primeiro texto mais aos poucos vc pegarar a arte de escrever que sera conseguido com pratica e com leitura e quem sbe no futuro teremos uma Clarice Linspector


Primeiramente, amei o lay, super estiloso! Segundamente, amei o título, criativíssimo!
Terceiramente, obrigada pela "linkagem"!
Quartamente (rsrs) apesar da sua aparente falta de inspiração para postar, o texto ficou bem legal, leve, gostoso de ler!

Beijo!


Concordando com tudo, acabo tendo que discordar de você. Totalmente. Domingo é o dia do tédia, da falta de inspiração, do nada, do caos urbano, da vontade de se refugiar dentro de si mesmo e brotar na segunda-feira, no meio do rush. E para falar disso, não precisa ser uma grande escritora. Tão pouco ter um vocabulário vasto. Escrever não é simplesmente encher de letras os espaços em branco de uma folha de papel (ou de uma página da web), mas fazê-lo com certa propriedade e com alguns pontos estratégicos, incomuns, com um quê de novidade, sutileza e criatividade. Encontrei tudo isso aqui no seu texto. Acho que você pode escrever, sim, porque as suas palavras tem verdade e cada letra se encaixa muito bem mesmo nas repetições. São anagramas decifráveis, mas são de bom tom. Melodiosas, eu diria.

Keep it up!


Amiga, "sinceramente"? eu adorei o blog,o primeiro post, o segundo... Acho que seu problema está em pensar demais enquanto escreve. Deixa fluir.. lugar de inspiração é aquele que te faz bem.. Comigo não rola mt essa coisa de lugar paradisíaco. Pra ser sincera, as coisas que mais gosto de escrever, surgem numa aula viajada de "arte para a comunicação", ou assim era, pois isso foi no semestre passado HUAHhUAU Fazer o que?

No momento, estou em um "momento" crise, achando td uma bosta (o que eu escrevo), só que mesmo assim posto.. ou vou postar, pq somente esse final de semana veio algo em mente.

Gostei demais de vc "ser obrigada" a fazer um blog.. assim acompanho suas produções, pois sou uma daquelas pessoas que vc citou acima, que acham que vc escreve super bem ;)

abrs, cara de bundinha


Lary, tá de parabéns, viu?!
Adoooorei o texto, adorei o formato do blog, adorei TUDO.
Vou estar sempre por aqui ;)


Olá! Novo leitor por aquii.
Acontece o mesmo comigo, a inspiração teima em fujir quando precisamos dela. Escrevi um post como há alguns dias. Adorei o espaço, e já sigo. ^^

Um Beijo.


Oi, colega!

Obrigado mesmo pela visita, viu? Pode ser minha seguidora, se quiser. Já te sigo aqui!

Abraços!


Imagine se tivesse inspirada!

beijos lari!

Renan Carvalho says:

Lassiraa!!
Já percebi que voce "desabafa" seus sentimentos por aqui. Achei de grande valor tudo que escreveste!
Está tudo muito lindo, e imagino se realmente estivesse inspirada, como não sairia!!
Quero que saiba que és uma garota formidável, e que a saudade de voce e de todos os amigos é sempre enorme...
espero que estejamos sempre em contatoo!!
Um grande beijooo!!


Lari,

Se você estivesse me vendo, enquanto lia seu texto você certamente diria: - Dan você é abestalhado.
Não pude conter o sorriso encantado que aparece apenas quando a gente realmente está fascinado com o que está vendo.
Muito bom seu texto Lari, parabéns.


Maravilhoso!!
adorei.
Parabéns,
Tai.


acho que as metrópoles tem muito a dizer, pra começar elas têm gente, gente tem história, tem causo, tem vida.

e como diria caetano veloso "da dura poesia concreta de tuas esquinas, da deselegância discreta de tuas meninas..."

não há, para nós brasileiros, maior metrópole do que são paulo e ela tá infiltrada de poesia, arte e luz.

você tem muito o que falar disso. com as palavras que você quiser, eu acredito. sem barrocos e rococós, ou com eles, se quiser. o importante é dizer do coração.

beijo! adorei o texto!

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